O princípio de uma crise devastadora

Desde 2000, temos assistido, nos EUA e no mundo capitalista desenvolvido, ao mais lento crescimento econômico real desde a Segunda Guerra Mundial e à maior expansão da esfera financeira da economia da história dos EUA. Não é preciso ser marxista para argumentar que esta realidade não é sustentável. A análise é do historiador Robert Brenner, professor da Universidade da Califórnia e um dos maiores estudiosos da economia global e suas bolhas.

A atual crise pode tonar-se a mais devastadora desde a Grande Depressão dos anos trinta. Ela exprime os profundos e não resolvidos problemas da economia real, escondidos pelo recurso à dívida das últimas décadas, bem como um racionamento do crédito de curto prazo cuja gravidade é inédita desde a Segunda Guerra Mundial. A combinação da fragilidade da acumulação de capital com a crise do sistema bancário transformou o presente declínio econômico numa crise de difícil resolução pelo poder político e que potencialmente se pode tornar num desastre. A praga das falências domésticas e das casas agora abandonadas – muitas vezes pilhadas de tudo o que nelas tem valor, como a cablagem de cobre – atinge com particular intensidade Detroit e outras cidades do Meio Oeste norte americano.

O desastre humano que a crise representa para centenas de milhares de famílias e para as suas comunidades pode, no entanto, ser só um primeiro sinal do impacto da atual crise. O crescimento histórico dos mercados financeiros nos anos 80, 90 e 2000 – com a contínua transferência de rendimento para os 1% mais ricos da população– desviou as atenções das fragilidades de longo prazo das principais economias capitalistas. O desempenho econômico nos EUA, Europa Ocidental e Japão deteriorou-se em todos os indicadores relevantes (crescimento econômico, investimento, salários) década após década, ciclo econômico após ciclo econômico, desde 1973.
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Tenebrosas transações

CÉSAR BENJAMIN

Se diretores de bancos centrais da Europa agissem assim,
sairiam algemados dos seus escritórios. Aqui, é provável que nada
aconteça
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O BANCO Central (BC) vem realizando operações heterodoxas e
desnecessárias que resultam em prejuízos reiterados de bilhões de
reais repassados ao Tesouro Nacional. É o chamado “swap” cambial. A
tecnicalidade dos procedimentos e a blindagem nos meios de comunicação
têm garantido a impunidade.
Economistas e jornalistas, implacáveis com qualquer aumento nos gastos
públicos, ignoram a suspeitíssima sangria.
Na linguagem do sistema financeiro, agentes privados fazem uma
operação de “swap” quando trocam ativos com diferentes rentabilidades
e prazos de vencimento. Problema deles. O “swap” cambial é uma aposta
nas variações das taxas de câmbio e de juros: ganha quem acerta no
comportamento futuro dessas duas variáveis. Continue lendo

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Os dedos sujos da especulação

Publicado no Estadão, dia 05 de junho de 2008, por Rolf Kuntz

Há uma China escondida, e muito mais, dentro dos computadores operados pelos novos especuladores dos mercados futuros de alimentos e de petróleo. Os americanos poderiam comer pão, massas e bolos durante dois anos com o trigo correspondente aos contratos acumulados pelos especuladores de índices, de acordo com as contas de Michael W. Masters, diretor e sócio da Masters Capital Management, uma empresa americana de hedge com sede nas Ilhas Virgens. Nos últimos cinco anos, a demanda chinesa de petróleo aumentou de 1,88 bilhão para 2,8 bilhões de barris anuais, com uma variação de 920 milhões de barris. No mesmo período, a demanda anual de petróleo daqueles mesmos especuladores cresceu 848 milhões de barris, quase empatando com a de uma economia gigantesca em crescimento explosivo. Os especuladores acumularam, por meio do mercado de futuros, um estoque de petróleo de 1,1 bilhão de barris, oito vezes o total adicionado em cinco anos à reserva estratégica dos Estados Unidos. Continue lendo

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Polêmica na aula!

A apresentação do texto do Rodrigo Teixeira intitulado “A produção capitalista do conhecimento e o papel do conhecimento na produção” foi para lá de polêmica na uala de hoje (13 de amio de 2008).

Como gestor do blog, proponho que continuemos o debate nos comentários deste post.

Para quem quiser acompanhar o debate o texto está na página material de aula.

Em questão de dias coloco o streaming do debate para relembrarmos.

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Capitalismo em crise?

Caros(as), segue um texto mega apologético à ideologia burguesa, pouco rigoroso e que tenta “salvar” o “imaculado” capitalismo das suas nefastas consequencias.

Sempre que há uma ameaça à continuidade da prosperidade mundial ouve-se que o Capitalismo está em crise. Quando a crise é nos Estados Unidos da América, fonte, inspiração e principal motor do modelo que predomina no mundo atual, isto toma o caráter de verdade inquestionável.

Da esquerda esta conclusão toma ares de comemoração, a cada crise vislumbram o colapso previsto por Karl Marx, que levaria finalmente ao glorioso futuro comunista. A cada crise acham que está comprovada sua tese de que o Capitalismo é inviável e destrutivo.

Dos supostos defensores do livre mercado ouve-se o medo das conseqüências da crise e uma defesa envergonhada do Capitalismo. Como fez o Reinaldo Azevedo ontem mesmo [1], argumentam que, apesar de suas crises, na média o “modelo ocidental” criou muito mais prosperidade que perdas.

A atual crise imobiliária e financeira americana é um excelente exemplo de porque ambos estão errados. Esta crise, como as que a precederam, não é uma crise do Capitalismo por um motivo extremamente simples. Não há Capitalismo no mercado financeiro imobiliário dos Estados Unidos.
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Making Globalization Work – Joseph Stiglitz

Camaradas,

Recebi esta indicação de um companheiro economista, velho amigo meu. Passo adiante emeio que recebi dele.

“Meus caros, para entender a crise global leiam a apresentação (Powerpoint) do economista Joseph Stiglitz proferida em fevereiro de 2008 em Frankfurt. (Maurício)

Speeches
2008
Making Globalization Work: Global Financial Markets in an Era of
Turbulence, Institutional Money Congress, Frankfurt, February 19, 2008.

http://www2.gsb.columbia.edu/faculty/jstiglitz/speeches.cfm

Eu que não sou da área achei interessante. Digam lá o que acharam.
Abraços.

Mário Costa (da disciplina Capitalismo Financeiro…)

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Krugman: a estratégia Dilbert e o combate à crise financeira

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Qualquer um que trabalhou em uma grande organização -ou que leia a tira de quadrinhos “Dilbert”- está familiarizado com a estratégia “mapa organizacional” . Para esconder sua falta de qualquer idéia sobre o que fazer, os gerentes às vezes fazem um grande show de reorganização das caixas e linhas que dizem quem presta contas a quem.

Agora você entende o princípio por trás da nova proposta do governo Bush de reforma financeira: se trata da criação da aparência de estar respondendo à crise atual, sem realmente fazer nada significativo.
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Avanço do euro esbarra na Europa

Estudo prevê que reservas superem as em dólar, mas continente, desunido, não ameaça hegemonia dos EUA
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União Européia não tem posição comum em temas de política externa, mas economista diz que isso não impede escalada da moeda

MARCELO NINIO
DE GENEBRA

Uma simulação feita por dois economistas americanos acendeu o alerta: em menos de dez anos o euro poderá substituir o dólar como principal moeda internacional. A tendência recebe agora o empurrão da crise mundial iniciada nos EUA, cujo legado pode deixar de ser só econômico para ganhar dimensões geopolíticas.
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Herrar é umano

Caiu o quinto banco de investimentos dos EUA. Ou o menor dos cinco maiores, como preferem os otimistas. Em todo caso, o segundo “mais admirado” na pesquisa da Fortune de 2007 e um dos oráculos aos quais investidores e jornalistas estavam acostumados a recorrer em busca de profecias e decreto dos deuses do mercado sobre o futuro da economia global.

Ainda que David Malpass, economista-chefe do Bear Stearns desde 1993, honrasse o sobrenome com freqüência. Em abril de 1994, assinou um relatório aos clientes intitulado “20 razões pelas quais o México não desvalorizará o peso”. Já em julho de 2002, no auge da disputa entre Lula e José Serra, anunciou que a moratória brasileira era inevitável. Sua analista afirmava que não conseguiria vender o Brasil de novo aos mercados “nem se o Lula nomeasse Alan Greenspan presidente do BC”.
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Martin Wolf: por que o atual setor de fundo hedge poderá não sobreviver

É difícil passar uma semana sem a implosão de um fundo hedge. Na semana passada, foi o Carlyle Capital, com assombrosos US$ 31 de dívida para cada dólar de ativos. Mas não deveríamos ficar surpresos. Estes colapsos são inerentes no modelo de fundo hedge. É até mesmo concebível que este modelo se juntará ao dos títulos hipotecários subprime securitizados na pilha de lixo.

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